Noções básicas de direito constitucional, civil, penal e trabalhista
Dinheiro achado, promessas verbais, ofensas nas redes sociais. A partir de situações do cotidiano, conferimos as ideias básicas da Constituição, do direito civil, do direito penal, do processo civil, do processo penal e do direito do trabalho. A explicação de cada pergunta mostra por que se chega àquela conclusão, com o nome dos artigos e princípios. Para casos específicos, consulte um especialista.
42 perguntas · 8 temas | Última atualização: 2026-09-28
Os “três grandes princípios” da Constituição do Japão são a soberania popular, o pacifismo e qual outro?
O respeito aos direitos humanos fundamentais
A separação dos três poderes
O Estado de direito
A autonomia local
Resposta: A. O respeito aos direitos humanos fundamentais
Os três grandes princípios são a soberania popular, o respeito aos direitos humanos fundamentais e o pacifismo. A separação dos poderes é um “mecanismo de governo” que divide o poder para evitar abusos, e é diferente dos princípios em si.
P2 | O dever de respeitar a Constituição
O artigo 99 da Constituição impõe o “dever de respeitar e defender a Constituição”. A quem?
Ao Estado: o Imperador, os ministros, os servidores públicos etc.
A todos os cidadãos
Somente aos cidadãos adultos
Somente aos juízes
Resposta: A. Ao Estado: o Imperador, os ministros, os servidores públicos etc.
A Constituição é uma regra que limita o poder do Estado (constitucionalismo). Por isso, o dever de cumpri-la cabe a quem exerce o poder. É outro assunto, diferente dos três deveres dos cidadãos (educação, trabalho e pagamento de impostos). Quem confunde isso entende errado o papel da Constituição.
P3 | Limites da liberdade de expressão
Mesmo com a “liberdade de expressão”, o que NÃO é permitido?
Espalhar mentiras que prejudicam a honra de outra pessoa
Criticar o governo
Participar de uma passeata
Publicar charges satíricas
Resposta: A. Espalhar mentiras que prejudicam a honra de outra pessoa
A liberdade de expressão (artigo 21) também sofre limites quando entra em conflito com os direitos dos outros (bem-estar público). Expor ou atacar alguém nas redes sociais pode ser crime de difamação ou de injúria, além do risco de ter que pagar uma indenização alta. “É liberdade de expressão, então pode tudo” não funciona.
P4 | Novos direitos humanos
Qual “novo direito humano”, que não está escrito na Constituição, vem sendo reconhecido com base no artigo 13?
O direito à privacidade
O direito de voto
O direito a um julgamento
O direito de propriedade
Resposta: A. O direito à privacidade
Com base no direito à busca da felicidade (artigo 13), a jurisprudência reconheceu o direito à privacidade e o direito à própria imagem. É um mecanismo que complementa direitos que não foram previstos quando a Constituição foi criada (1946). O interesse em não ter sua foto publicada sem autorização também vem daqui.
P5 | Proibição da censura
O Estado examinar o conteúdo de um livro antes da publicação e impedir que ele seja publicado (censura) é…
Proibido de forma absoluta
Possível com autorização da Justiça
Possível em emergências
Possível se for uma publicação nociva
Resposta: A. Proibido de forma absoluta
Entende-se que a censura (artigo 21, parágrafo 2) é proibida de forma absoluta, sem exceções (caso da inspeção alfandegária). Impedir de antemão a circulação de informações destrói a base da democracia. A proibição prévia determinada por um tribunal é tratada separadamente da censura e exige requisitos extremamente rígidos.
P6 | Caso McLean
A proteção dos direitos humanos da Constituição do Japão se estende aos estrangeiros? (caso McLean, Suprema Corte)
Sim, na medida em que a natureza de cada direito permitir
Não, de jeito nenhum
Somente aos residentes permanentes
Somente a pessoas de países com tratado
Resposta: A. Sim, na medida em que a natureza de cada direito permitir
A jurisprudência decidiu que os direitos “se estendem igualmente aos estrangeiros, exceto aqueles que, por sua natureza, se destinam apenas aos cidadãos japoneses”. Porém, não se garante a liberdade de permanecer no Japão, e as atividades podem ser consideradas negativamente na renovação do visto: essa é a dura conclusão do caso. Cai muito no exame da Ordem.
Direito civil
P7 | Maioridade
Hoje, a partir de que idade se é “adulto” (maior de idade) no Japão?
18 anos
20 anos
16 anos
22 anos
Resposta: A. 18 anos
Desde abril de 2022, a maioridade é aos 18 anos. A partir dos 18, você pode fazer empréstimos e contratos de cartão de crédito sozinho, mas perde a proteção que permite cancelar um contrato “por ser menor de idade” (direito de anulação do menor). Cuidado com marketing multinível e venda de “informações para ganhar dinheiro” voltados aos novos adultos.
P8 | Quando existe um contrato
Você diz a um amigo, só de boca: “Te empresto 10.000 ienes”. Existe um contrato?
Sim, existe
Não, porque não há nada por escrito
Não, porque não há carimbo (inkan)
Só passa a existir depois de 30 dias
Resposta: A. Sim, existe
Em princípio, o contrato existe apenas com o acordo verbal (princípio consensual). O documento escrito serve “para provar depois”. Ou seja, uma promessa verbal também gera obrigações legais. Mas sem prova não dá para ganhar na Justiça: esse é o risco real. Mensagens do LINE também são prova válida.
P9 | Compras on-line e “cooling-off”
Você comprou roupa numa loja on-line. “Posso devolver pelo cooling-off (kūringu ofu, direito de arrependimento)”. Está certo?
Errado (compras on-line não têm cooling-off)
Certo (sem condições em até 8 dias)
Certo (sem condições em até 30 dias)
Certo, exceto para alimentos
Resposta: A. Errado (compras on-line não têm cooling-off)
O cooling-off é para vendas “de surpresa”, como venda em domicílio ou por telefone. Compras on-line, que você mesmo faz, não estão incluídas. Se dá para devolver depende da política de devolução de cada loja (se ela não informar, você pode devolver em até 8 dias pagando o frete). “Compra on-line também tem cooling-off” é um dos equívocos mais comuns.
P10 | Devolução do imóvel
Você vai sair de um imóvel alugado. Em princípio, quem paga a troca dos tatames desbotados pelo sol?
O proprietário (locador)
O inquilino (locatário)
Metade cada um
A empresa garantidora
Resposta: A. O proprietário (locador)
O desgaste do uso normal (desbotamento pelo sol, marcas de móveis) já está incluído no aluguel e, em princípio, é pago pelo proprietário. Isso foi escrito na lei com a reforma do Código Civil de 2020 (artigo 621). Se descontarem automaticamente do depósito (shikikin, caução), negocie citando as diretrizes do Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes. Danos intencionais ou por descuido (queimaduras de cigarro etc.) ficam por conta do inquilino.
P11 | Registro obrigatório de herança
Qual trâmite de herança se tornou obrigatório em 2024?
O registro de imóveis herdados (em até 3 anos)
Fazer um testamento
Declarar o imposto sobre herança em vida
Entregar uma árvore genealógica
Resposta: A. O registro de imóveis herdados (em até 3 anos)
Quem recebe um imóvel por herança e não o registra em até 3 anos pode levar uma multa administrativa de até 100.000 ienes (desde abril de 2024, incluindo heranças anteriores). É uma medida contra o problema de terrenos sem dono identificado. Se ficar parado, os herdeiros se multiplicam como bola de neve e o trâmite fica difícil: é aí que entra o criador de diagramas de parentesco.
P12 | Direito de moradia do cônjuge
O que é o “direito de moradia do cônjuge”, criado em 2020?
O direito do cônjuge sobrevivente de continuar morando na casa
O direito do cônjuge de sempre herdar a casa
Um sistema que reduz pela metade o aluguel do cônjuge
O direito de morar na casa depois do divórcio
Resposta: A. O direito do cônjuge sobrevivente de continuar morando na casa
Mesmo que os filhos herdem a “propriedade” da casa, o cônjuge obtém o “direito de morar” nela e pode continuar vivendo lá até o fim da vida. Separando a propriedade do direito de moradia, fica mais fácil para o cônjuge receber também as economias. É estabelecido na partilha da herança ou por testamento, e o registro é necessário para valer contra terceiros.
P13 | Legítima
Um testamento diz: “Deixo todos os meus bens para minha amante”. O cônjuge e os filhos não recebem nada?
Podem exigir um mínimo por causa da legítima
Não recebem nada, porque o testamento é absoluto
O próprio testamento fica inválido
Decide-se conversando com a amante
Resposta: A. Podem exigir um mínimo por causa da legítima
Os herdeiros legais, exceto irmãos, têm direito à legítima (iryūbun, parte mínima garantida): para cônjuge e filhos, é 1/2 da parte legal, e nem um testamento pode tirá-la. Se ela for violada, é possível exigir dinheiro por meio do “pedido de compensação pela violação da legítima”. Mas o prazo é curto, 1 ano a partir de quando se fica sabendo, então é preciso agir logo.
P14 | Prescrição
“Dívida some com o tempo”. Em quantos anos ela prescreve? (regra geral)
5 anos (a partir de quando se sabe que o direito pode ser exercido)
1 ano
20 anos
Dívida não some por prescrição
Resposta: A. 5 anos (a partir de quando se sabe que o direito pode ser exercido)
Com a reforma de 2020, a regra geral foi unificada: “5 anos a partir de quando se sabe, 10 anos a partir de quando se pode exercer”. Mas a prescrição não se completa sozinha: é preciso declarar que você a invoca (en’yō). E se você pagar nem que seja 1 iene ou reconhecer a dívida, o prazo recomeça (renovação). Ignorar as cobranças também é perigoso, porque você pode ser processado.
Direito penal
P15 | Presunção de inocência
“Na dúvida, a favor do réu”. Até a condenação ser definitiva, como o réu é tratado?
Como inocente
Como meio culpado
Como culpado enquanto está preso
Como culpado se aparecer no noticiário
Resposta: A. Como inocente
A “presunção de inocência” é o grande princípio do processo penal. Só há condenação quando o promotor prova a culpa sem deixar margem para dúvida razoável. Ser preso não significa ser o culpado. Se você espalhar que alguém cujo nome saiu no noticiário é culpado, você mesmo corre o risco de ser acusado de difamação.
P16 | Ficar com o que achou
Você acha uma nota de 10.000 ienes na rua. E se colocar direto no bolso?
É o crime de apropriação de coisa achada
É ilegal, mas não é crime
Você tem direito a ficar com metade
Se esperar uma semana, é seu
Resposta: A. É o crime de apropriação de coisa achada
É apropriação indébita de coisa que saiu da posse do dono (até 1 ano de prisão ou multa de até 100.000 ienes etc.). Mesmo que “só tenha achado”, é crime. Se você entregar à polícia, pode receber uma recompensa (de 5 a 20%) e, depois de 3 meses, até ficar com o dinheiro. Embolsar não compensa.
P17 | Legítima defesa
Alguém partiu para cima de você e você o empurrou. O que é preciso para ser legítima defesa?
Um ato inevitável contra uma agressão injusta e iminente
Se te atacaram primeiro, pode fazer qualquer coisa
Basta o outro não se machucar
Basta ter chamado a polícia na hora
Resposta: A. Um ato inevitável contra uma agressão injusta e iminente
A legítima defesa (artigo 36 do Código Penal) é apenas uma reação “inevitável” contra uma “agressão injusta e iminente”. Se você continuar batendo em alguém que já caiu, é excesso de legítima defesa ou crime de agressão. “Apanhou, bate de volta” é vingança, não defesa. Quem não conhece esse limite pode passar de vítima a agressor.
P18 | Penas mais duras para injúria
Você responde a uma celebridade nas redes sociais: “Some daqui, idiota”. Que crime pode ser aplicado?
Injúria (penas mais duras desde 2022)
Nenhum crime
Dano ao patrimônio
Apenas ameaça
Resposta: A. Injúria (penas mais duras desde 2022)
Xingar sem apontar fatos concretos é crime de injúria. Com o endurecimento de 2022, foram acrescentadas pena de até 1 ano de prisão e multa de até 300.000 ienes (antes havia só detenção curta ou multa leve). Se você apontar fatos concretos, é difamação (até 3 anos). Além disso, pode vir a revelação dos dados do autor e uma ação civil de centenas de milhares de ienes ou mais. O anonimato não te protege.
P19 | Tentativa
Um crime é punido mesmo que fique só na “tentativa”?
Só nos crimes em que a lei prevê punição da tentativa
É punido em todos os crimes
A tentativa nunca é punida
Não é punido se a vítima perdoar
Resposta: A. Só nos crimes em que a lei prevê punição da tentativa
Punir a tentativa é exceção: só nos crimes como homicídio, roubo e incêndio, cujo artigo diz que “a tentativa é punida” (artigo 44 do Código Penal). Por exemplo, dano ao patrimônio não tem crime de tentativa. E punir os “atos preparatórios”, uma etapa ainda anterior, se limita a pouquíssimos casos, como a preparação de homicídio.
P20 | Idade de responsabilidade penal
Uma criança de 13 anos machucou uma pessoa. Qual é a pena?
Nenhuma (menores de 14 anos não têm responsabilidade penal)
Metade da pena
Os pais cumprem a pena no lugar
Só uma multa
Resposta: A. Nenhuma (menores de 14 anos não têm responsabilidade penal)
Pelo artigo 41 do Código Penal, não se aplica pena a menores de 14 anos (inimputáveis penais). Eles ficam sob a proteção do centro de orientação infantil (jidō sōdanjo) ou do tribunal de família (menores infratores). Mas a responsabilidade civil de indenizar é outra coisa: quem paga são os pais, como responsáveis pela supervisão. “Coisa de criança” não resolve.
Processo civil
P21 | Ação de pequeno valor
Qual sistema resolve disputas de dinheiro de até 600.000 ienes, em princípio, em uma única audiência?
A ação de pequeno valor (shōgaku soshō)
A conciliação de família
A queixa-crime
A execução forçada
Resposta: A. A ação de pequeno valor (shōgaku soshō)
A ação de pequeno valor do tribunal sumário é exclusiva para cobranças de até 600.000 ienes. Em princípio, a sentença sai em 1 dia, as custas são de alguns milhares de ienes e é fácil de usar mesmo sem advogado. Serve para recuperar o depósito do aluguel, pagamentos não recebidos e problemas em apps de compra e venda. Saiba que, se a outra parte contestar, o caso passa para uma ação comum.
P22 | Ônus da prova
Num processo civil você exige: “Me devolva o dinheiro que te emprestei”. Quem precisa provar?
Quem afirma ter emprestado (o autor)
Quem supostamente pegou emprestado (o réu)
O juiz investiga
A polícia investiga
Resposta: A. Quem afirma ter emprestado (o autor)
No cível, a regra é “quem alega, prova”. Sem provas, você perde mesmo tendo toda a razão. Diferente do penal, a polícia não age. Ao emprestar ou pegar dinheiro, guarde sempre um recibo de empréstimo, os comprovantes de transferência e as mensagens: essa é a sua melhor proteção.
P23 | Carta com certificação de conteúdo
“Se eu mandar uma carta com certificação de conteúdo (naiyō shōmei yūbin), a outra parte é obrigada a cumprir”. Está certo?
Errado (só se certificam o conteúdo e a data)
Certo (se ignorar, a pessoa é presa)
Certo (os bens podem ser penhorados)
Obriga se for enviada por um advogado
Resposta: A. Errado (só se certificam o conteúdo e a data)
O correio apenas certifica “quando, quem e o que foi enviado”; não há nenhuma força legal obrigatória. Mesmo assim, serve como prova de que você cobrou, e como interpelação adia por 6 meses a consumação da prescrição (artigo 150 do Código Civil); além disso, mostra que você está falando sério, o que tem grande efeito psicológico. Para penhorar, é preciso um título executivo, como uma sentença.
P24 | Sistema de três instâncias
Se você discordar de uma sentença, qual é o caminho?
Apelação (kōso) → recurso à Suprema Corte (jōkoku): até 3 julgamentos
Revisão → apelação
Recurso à Suprema Corte → apelação
Agravo (kōkoku) → queixa-crime
Resposta: A. Apelação (kōso) → recurso à Suprema Corte (jōkoku): até 3 julgamentos
É o sistema de três instâncias: primeira instância → apelação (segunda instância) → recurso à Suprema Corte (terceira instância). Serve para julgar com cuidado e corrigir erros. Porém, o recurso à Suprema Corte só é aceito por motivos limitados, como violação da Constituição ou da jurisprudência; “estar insatisfeito” não basta. O prazo para apelar é de 2 semanas a partir da entrega da sentença; depois disso, ela se torna definitiva.
Processo penal
P25 | Direito ao silêncio
Num interrogatório policial, “não falar o que não quer falar” é…
Um direito garantido pela Constituição
Obstrução do serviço público
Algo que aumenta sua pena
Um direito só dos estrangeiros
Resposta: A. Um direito garantido pela Constituição
O direito ao silêncio está no artigo 38 da Constituição: pode ser exercido no interrogatório e no tribunal, e ninguém pode ser prejudicado por ficar calado. Ceder à pressão de “ficar calado pega mal” e fazer uma confissão falsa é a principal causa de condenações injustas. A regra de ouro é chamar primeiro um advogado (o advogado de plantão, tōban bengoshi, é gratuito).
P26 | Exigência de mandado
Em princípio, o que a polícia precisa para prender uma pessoa?
Um mandado expedido por um juiz
Autorização do delegado
Autorização do promotor
O consentimento da vítima
Resposta: A. Um mandado expedido por um juiz
Para prender, em princípio é preciso um mandado de um juiz (artigo 33 da Constituição, exigência de mandado). A exceção é, por exemplo, a prisão em flagrante. Buscas em domicílio e apreensões também exigem mandado. “Acompanhar voluntariamente” (nin’i dōkō) e “entregar voluntariamente” são apenas isso, voluntários: só de saber que você pode recusar quando é possível, sua reação muda.
P27 | Monopólio da acusação
Quem decide se uma pessoa será levada a julgamento (denunciada) por um crime?
O promotor
O policial
O juiz
A vítima
Resposta: A. O promotor
O poder de denunciar é exclusivo do promotor (monopólio da acusação), que também pode decidir não denunciar conforme as circunstâncias (princípio da oportunidade, suspensão da denúncia). Mesmo que a vítima diga “vou processar!”, quem abre o processo penal é o promotor. Se você discordar do arquivamento, existe o sistema de recorrer ao Comitê de Revisão da Promotoria.
P28 | Por que 99% de condenações
Diz-se que mais de 99% dos processos penais no Japão terminam em condenação. Qual é o principal motivo?
Porque só são denunciados casos com grande chance de condenação
Porque os juízes são rigorosos
Porque há poucos advogados
Porque a lei diz que quem confessa é sempre condenado
Resposta: A. Porque só são denunciados casos com grande chance de condenação
Considera-se que o motivo principal é que os promotores, com base no princípio da oportunidade, escolhem denunciar apenas os casos em que podem garantir a condenação. Ou seja, na prática “se foi denunciado, quase certamente será condenado”. Por isso, na prática penal, sabe-se que a defesa antes da denúncia (evitar a prisão preventiva, conseguir o arquivamento) é decisiva.
Lei de menores
P29 | “Menores específicos”
Com a reforma da Lei de Menores de 2022, como passaram a ser chamados os jovens de 18 e 19 anos?
Menores específicos (tokutei shōnen)
Semiadultos
Jovens adultos
Menores limitados
Resposta: A. Menores específicos (tokutei shōnen)
Com a maioridade passando para 18 anos, os jovens de 18 e 19 anos viraram “menores específicos”. A proteção da Lei de Menores continua, mas foi ampliado o envio de casos à promotoria (gyakusō) e, se forem denunciados, passou a ser permitido divulgar o nome verdadeiro: o tratamento ficou mais próximo do de um adulto. É uma mudança importante: “a partir dos 18, há mais situações em que a Lei de Menores não te protege”.
P30 | Envio de todos os casos
Se um menor comete um delito, para onde o caso vai primeiro?
Todos para o tribunal de família
Todos para o tribunal distrital
Casos leves terminam na polícia
Direto para o reformatório
Resposta: A. Todos para o tribunal de família
Em princípio, todos os casos de menores vão para o tribunal de família (princípio do envio de todos os casos). Um investigador do tribunal de família analisa a história de vida e o ambiente familiar (aqui o diagrama de parentesco, ou genograma, é útil), e na audiência se decide uma medida de proteção, como liberdade assistida ou internação em reformatório. O objetivo não é punir, e sim a recuperação.
P31 | Objetivo da audiência de menores
O objetivo da audiência de menores (shōnen shinpan) é “punir”. Verdadeiro ou falso?
Falso (o objetivo são medidas de proteção para o desenvolvimento saudável)
Verdadeiro (o objetivo é a mesma pena de um adulto)
Verdadeiro (o objetivo é indenizar a vítima)
Falso (o objetivo é absolver)
Resposta: A. Falso (o objetivo são medidas de proteção para o desenvolvimento saudável)
O artigo 1 da Lei de Menores define como objetivo “o desenvolvimento saudável do menor”. A audiência não é pública, e as medidas são principalmente educativas, como internação em reformatório ou liberdade assistida. Como exceção, casos graves são enviados à promotoria e vão a julgamento penal. Há quem critique como “brando”, mas o sistema foi desenhado com base em dados para evitar a reincidência.
Direito do trabalho
P32 | Jornada legal de trabalho
Qual é o limite de horas de trabalho fixado por lei (jornada legal)?
8 horas por dia e 40 horas por semana
10 horas por dia e 50 horas por semana
8 horas por dia e 48 horas por semana
A empresa decide livremente
Resposta: A. 8 horas por dia e 40 horas por semana
É o grande princípio do artigo 32 da Lei de Normas Trabalhistas. Para fazer alguém trabalhar além disso, é preciso firmar e registrar um acordo do artigo 36 (saburoku kyōtei) e pagar adicional. Você não precisa aceitar sem questionar que “aqui o normal é 9 horas”. Primeiro, confira a jornada prevista na sua empresa e o acordo do artigo 36.
P33 | Adicional de hora extra
Qual é o adicional mínimo por hora extra (trabalho além da jornada legal)?
25%
10%
50%
5%
Resposta: A. 25%
Hora extra tem adicional de pelo menos 25%; o trabalho noturno (das 22h às 5h) soma mais 25%, e o que passar de 60 horas no mês, pelo menos 50% (também em pequenas e médias empresas desde 2023). “Pagamos hora extra fixa (minashi zangyō), então pode trabalhar quanto for pelo mesmo valor” é ilegal se o excedente não for pago. Crie o hábito de conferir os detalhes do seu holerite.
P34 | Base para mandar fazer hora extra
Em que casos a empresa pode mandar você fazer hora extra?
Quando há acordo do artigo 36 e base no regulamento de trabalho etc.
Sempre que o chefe mandar
Sempre que houver um costume verbal
Sempre, se você for efetivo
Resposta: A. Quando há acordo do artigo 36 e base no regulamento de trabalho etc.
A ordem de hora extra é válida quando o acordo do artigo 36 foi firmado e registrado, e o regulamento de trabalho ou o contrato preveem que a empresa pode mandar fazer hora extra. Sem isso, a ordem é inválida e você não pode ser punido por recusar. Mesmo sendo válida, você pode recusar ordens que sejam abuso de direito, como nos limites para quem cuida de filhos ou de familiares, ou quando prejudicam a saúde.
P35 | Limite de horas extras
Mesmo com acordo do artigo 36, qual é o limite de horas extras que não pode ser ultrapassado (regra geral)?
45 horas por mês e 360 horas por ano
100 horas por mês e 1200 horas por ano
20 horas por mês e 240 horas por ano
Não há limite
Resposta: A. 45 horas por mês e 360 horas por ano
Com a Reforma do Estilo de Trabalho (desde 2019), virou um limite com punição. Mesmo com cláusula especial, há limites absolutos, como no máximo 720 horas por ano, média de no máximo 80 horas em vários meses e menos de 100 horas por mês. O empregador que violar pode pegar até 6 meses de prisão ou multa de até 300.000 ienes. “Hora extra abusiva sem limite” é contra a lei.
P36 | Regras de demissão
De repente dizem: “A partir de amanhã, não precisa vir”. O que diz a lei?
É nula se não houver motivo razoável e adequação social
É sempre válida se o presidente decidir
É sempre válida se pagarem 30 dias de salário
É sempre válida durante o período de experiência
Resposta: A. É nula se não houver motivo razoável e adequação social
A demissão é nula se não tiver motivo objetivamente razoável e adequação segundo o senso comum social (artigo 16 da Lei de Contratos de Trabalho, doutrina do abuso do direito de demitir). No procedimento, também é preciso aviso com 30 dias de antecedência ou pagamento do aviso prévio. “Fui demitido, acabou” não é bem assim: em muitos casos dá para exigir a reversão, a confirmação do vínculo ou uma compensação. Primeiro procure a Inspeção de Normas Trabalhistas (rōkisho) ou a mediação do Departamento do Trabalho.
P37 | Férias remuneradas
Quem trabalha meio período (arubaito) tem férias remuneradas?
Tem, se cumprir as condições
Não, é só para efetivos
Só com autorização do gerente da loja
Já estão incluídas no valor da hora
Resposta: A. Tem, se cumprir as condições
Mesmo trabalhando 1 dia por semana, se você completar 6 meses seguidos e comparecer a 80% dos dias, recebe férias remuneradas proporcionais. Além disso, quem tem direito a 10 dias ou mais por ano deve tirar pelo menos 5 dias por ano, e a empresa é obrigada a garantir isso (se não, leva multa). “Quem é arubaito não tem férias remuneradas” é uma frase ilegal típica. Você também não precisa explicar o motivo (mas a empresa pode pedir para mudar a data).
P38 | Prescrição de horas extras não pagas
Por quanto tempo para trás você pode cobrar horas extras não pagas?
3 anos
1 ano
10 anos
Não é possível cobrar
Resposta: A. 3 anos
Por enquanto, o direito de cobrar salários prescreve em 3 anos (a lei caminha para ampliar para 5 anos). Cartões de ponto, registros do computador, escalas de turno e suas anotações diárias também servem de prova. Dá para cobrar mesmo depois de sair da empresa. Em casos graves, o tribunal pode mandar pagar ainda um adicional no mesmo valor. Não precisa engolir o prejuízo só porque saiu.
Jurisprudência
P39 | Caso Mitsubishi Jushi
Os direitos humanos da Constituição se aplicam diretamente à relação entre uma empresa e uma pessoa (entre particulares)? (caso Mitsubishi Jushi)
Não diretamente (aplicam-se de forma indireta pelo Código Civil)
Sim, diretamente
Diretamente, se a empresa tiver ações na bolsa
Diretamente, se o trabalhador pedir
Resposta: A. Não diretamente (aplicam-se de forma indireta pelo Código Civil)
A Suprema Corte entendeu que as normas de direitos humanos da Constituição regulam a relação entre o Estado e o indivíduo, não se aplicam diretamente entre particulares e atuam de forma indireta pela interpretação do artigo 90 do Código Civil (ordem pública e bons costumes) etc. (teoria da aplicação indireta). É um caso famosíssimo sobre a recusa de efetivar uma pessoa por causa de sua participação no movimento estudantil.
P40 | Inconstitucionalidade do parricídio
O que a Suprema Corte decidiu sobre a norma que punia o assassinato de pai ou mãe/ascendente (parricídio) de forma extremamente mais pesada que um homicídio comum?
Inconstitucional, por violar a igualdade perante a lei
Constitucional
Dentro da liberdade do legislador
Evitou decidir
Resposta: A. Inconstitucional, por violar a igualdade perante a lei
Em 1973, foi a primeira decisão da história da Suprema Corte a declarar uma lei inconstitucional. Mesmo que agravar a pena em si pudesse ser aceito, uma punição extrema, só com pena de morte ou prisão perpétua, era uma discriminação irracional que violava o artigo 14. Por trás estava o caso de uma filha que não suportou mais os abusos sexuais do próprio pai. O artigo só foi eliminado em 1995.
P41 | Caso da distância entre farmácias
O que a Suprema Corte decidiu sobre a regra “não se pode abrir uma farmácia nova sem certa distância das já existentes”?
Inconstitucional, por violar a liberdade de escolher a profissão
Constitucional, pela saúde pública
Constitucional se for só uma obrigação de esforço
Constitucional se for uma lei municipal
Resposta: A. Inconstitucional, por violar a liberdade de escolher a profissão
Foi uma decisão de inconstitucionalidade de 1975. Entendeu-se que a relação entre o objetivo da restrição por distância (evitar medicamentos de má qualidade) e o meio era fraca, e que ela violava a liberdade de escolher a profissão (artigo 22). É o exemplo clássico da “teoria da dupla finalidade da regulação”, que muda o rigor do controle conforme o objetivo seja passivo ou ativo, e cai muito no exame da Ordem.
P42 | Caso Asahi
Sobre o “padrão mínimo de vida saudável e cultural” (artigo 25, direito à subsistência), qual é a posição da jurisprudência?
É uma meta de esforço do Estado e não gera direito direto de exigir
Qualquer um pode exigir diretamente do Estado
O tribunal pode definir o valor
Pode ser reduzido livremente por lei municipal
Resposta: A. É uma meta de esforço do Estado e não gera direito direto de exigir
No caso Asahi e em outros, entendeu-se que o artigo 25 declara um dever do Estado, e que o direito concreto a benefícios se realiza por meio de leis (como a Lei de Assistência Pública, seikatsu hogo) (interpretação como norma programática). Mesmo assim, retrocessos no sistema ou uma aplicação irracional podem ser questionados na Justiça. Também é importante não hesitar em buscar orientação sobre a assistência pública.
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